segunda-feira, 7 de junho de 2010

Como é o amor.

Há quem diga que o amor é aquele sentimento que une duas pessoas,e que é capaz de passar por cima de tudo.
Mas eu discordo.Discordo porque o amor não passa por cima de tudo,na verdade as vezes o amor não suporta o prédio porque não existia uma base para sustentá-lo.
As pessoas enxergam aqueles que amam como o suporte de seu prédio,que sem elas,tudo vai para o chão.Que alguém cura suas feridas,enxuga suas lágrimas,causa seus sorrisos,isso não é amor.
Amor é aquele onde dois indivíduos continuam sendo apenas dois indivíduos,que compartilham mas não carregam o peso do outro.Que escutam as lamentações mas não enxugam suas lágrimas,apenas estendem o lenço para que esse o enxugue.
O amor deve ser suportar suas feridas em silêncio,sem que o outro seja obrigado a sentí-las com você.
O amor é um sentimento egoísta quando você passa a enxergar como ele realmente é.Mas o amor deve ser assim.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A saudade

A saudade não me deixa em paz nem por um segundo.
Ela consegue consumir todo e qualquer tempo que tenho livre pra pensar em mim.
Gosta do fato de ter lágrimas percorrendo o meu rosto,porque não consegui me acostumar com o fato de não sentir mais o gosto salgado delas tocando meus lábios.
Ao menos o motivo agora é uma dor,que não machuca tanto assim.E não machuca tanto porque,é uma dor passageira,que encontrei um remédio para curá-la quando insuportável.
É uma dor que posso satisfazer com apenas a presença,quando a ausência torna a chamá-la pra mim.
Aperta o peito,mas não o sufoca,não o mata.Talvez um dia consiga matá-lo caso eu não consiga suprir a necessidade da presença,mas aí já não será saudade,será tristeza.
Mas o bom da dor da saudade,é que ela passa,e passa como se eu nunca tivesse a sentido antes.
Porque ela me faz chorar,e no momento seguinte me faz rir.
Me faz rir sem o peso do riso triste,do riso pra disfarçar a tristeza dentro de mim.
É um riso costumeiro,como de quem canta alegremente pela rua depois de ver o passarinho azul,que todo mundo vê quando está feliz.
E o melhor,eu mato a saudade.E mato ela com a presença que me traz o alívio pra dor.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Amarga.

A vida por vezes é amarga. 
Amarga de desgosto,amarga de tristeza,amarga de ausência,amarga de saudade,amarga de derrota.
Por vezes o coração se cansa de sofrer,sofre tanto que quase chega a parar,mas uma hora ele para.
A dor corrói,consome,destrói,maltrata,sufoca,amarga,faz sofrer.
A dor é terrivelmente cruel,mas só ela é capaz de mostrar a verdade de um coração.
Se o coração sofre é porque ele anseia,ele deseja,ele quer se libertar,ou até mesmo se prender.
Se o coração se cala,não é porque deixou de ter voz,mas talvez seja porque ele já não tenha mais nada a dizer.
E as palavras,de nada valem quando não é o coração quem as diz.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O gosto da liberdade.



Era a primeira vez que o cheiro da liberdade fazia inflar minhas narinas.
Na verdade,nunca achei que um dia provaria o gosto adocidado de ter o controle da minha própria vida,bem aqui em minhas mãos.
Era a primeira vez em duas décadas de uma existência invisível aos olhos dos outros,e medíocre aos meus,que tinha a sensação de ter finalmente me livrado daquelas correntes malditas das quais meu próprio medo me fez prisioneira.
Parece que o fato de me ver livre destas correntes e manter as rédeas de minha própria vida pela primeira vez,deixavam-na com um sabor,aroma e cor completamente diferentes do que se podia notar antes.
O mundo só tinha duas cores,eram sempre preto e branco.Eu não era capaz de ver a vida em colorido porque não vivia por mim ou para mim,sempre vivi aquilo que acreditavam que eu deveria viver.
Seu gosto era amargo,pois era apenas isso que foi me dado.
Nunca tive sonhos próprios,porque sempre disseram que sonhar dá asas,e voôs altos tendem a ter quedas violentas,era para o meu próprio bem,assim diziam.
Hoje me libertei.Quebrei as correntes e comecei a decidir quais caminhos eu deveria seguir.Se eu caísse,eu me levantaria sozinha,não queria mais ninguém cuidando de mim como se eu fosse de Cristal.
Hoje,vejo o mundo como ele realmente era pra mim,não mais pelos olhos dos outros.
Nada melhor do que a liberdade!Quem prova seu gosto um dia,jamais aceita voltar a ser prisioneiro de seu próprio medo.Medo de que?De não ver mais sua vida em preto e branco.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Antídoto.

Só queria descobrir um antídoto para dor.Saber como fazer para escapar de todo esse torpor que toma conta do meu corpo quando me dou conta da solidão.
Perdi o medo de arriscar.Sempre tentei mais do que fui capaz de aguentar,tive coragem  mas só o que consigo é chegar próximo,muito próximo,e ver minha chance indo embora sem ao menos me dar a chance.
Quando caio é que dói mais.Eu fico esperando alguém estender a mão para que eu me levante,mas ninguém vem.
Eu já não tenho forças para me erguer sozinha,então talvez eu permaneça onde estou.
Ao menos onde estou,não posso ter mais dor.Quando não se sai do chão,não existe a chance de cair novamente.


domingo, 28 de março de 2010

A fuga.

Caminho olhando para o chão,sem pensar em voltar.As vezes não me parece a melhor decisão,parece até que estou fugindo do problema mas a verdade é que fujo da lembrança.
E cada vez que me distancio daquela vida,presto menos atenção ao meu redor.

É como se a dor tivesse me anestesiado de tal forma,que perceber o que acontece em volta de mim é desnecessário.
Coloco os fones no ouvido que é para não prestar atenção nas vozes em volta de mim,assim fica mais fácil parecer imperceptível no meio da multidão.
Assim eu me sinto em paz comigo mesma,com meu silêncio,apenas a música para me fazer companhia.A música é a única companhia que tenho enquanto traço meu caminho pra lugar nenhum.
Eu não sei bem onde quero chegar,ou qual direção devo seguir,eu apenas quero fugir,e pra bem longe.
Quero encontrar um lugar onde a bagagem de lembranças não tenha que me acompanhar.Onde eu não veja em cada esquina,o seu rosto.O rosto que eu cansei de pedir para que voltasse,para que me pedisse perdão.O rosto que eu não vi derramar uma lágrima por mim,e pelo qual derramei incontáveis lágrimas,até secar.
Onde o vento sopre no meu rosto,e eu não sinta arrepios,apenas me sinta viva.
Quero percorrer todos os caminhos que escolher,sem ter a sensação de que a qualquer momento eu vá me arrepender das minhas decisões,ou que alguém irá aparecer para me fazer sentir culpa,quando eu tenho razão.
Eu quero caminhar no silêncio,em busca de uma paz que não encontro aqui.E quando eu for,por favor,não me procure,pois a paz está bem distante de onde você está.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Devoradora de Corações



Me cansa ser aquela a trair seu próprio sentimento,se deixando levar por impulsos tão humanos,tão mesquinhos e tão cruéis.
Parece que gosto tanto de ser machucada,que já não me basta a ferida que outros me causam,é preciso que eu mesma machuque meu coração.
Eu me esqueço de pensar e me deixo levar,mas depois o que não sai da cabeça é a culpa,e o vazio que sinto.
Não quero mais me machucar,não quero mais.E também não quero olhar nos olhos de outro alguém,e ver que o machuquei também sem a intenção de o fazer sofrer.
Me sinto uma idiota por me deixar levar ao invés de tentar entender o que aquilo pode me trazer como consequência.
Foi tão doloroso ver em seus olhos,a decepção e a dor que o causei,e não ser capaz de fazer nada além de fingir que na verdade,nada tinha acontecido.E ver que deixei os rastros de dor espalhados por todo o canto,e continuar imóvel,quieta,chocada comigo mesma,e a única coisa que consigo fazer é chorar e chorar,e me arrepender,e chorar novamente.
Mas chorar não vai fazer o tempo voltar,o beijo se desfazer,e tudo mudar.E agora nada que eu faça,vai desfazer tudo o que eu já fiz,sem nem pensar,simplesmente agi.
Agora só o tempo poderá dizer se as marcas que causei em alguém,serão tão permanentes quanto as que causei à mim.
Eu só não quero ser mais uma devoradora de corações.