sábado, 11 de dezembro de 2010

Era preciso dizer Adeus

Então era melhor partir.Sem velhas despedidas melodramáticas,cartões postais,choros e lágrimas.Eu apenas queria partir,e levar todos os meus pedaços,afinal despedidas costumam arrancar boa parte do meu eu,quando não me deixo por inteiro.
Era preciso ser rápida,pegar todas as roupas que deixei espalhadas pelo quarto,algumas que ficaram naquele armário miserável que dividíamos. Ele tinha apenas algumas camisetas surradas de bandas e um ou dois jeans velhos,minhas roupas ocupavam maior parte.
A minha mala era pequena,eu sabia que seria preciso voltar mais uma vez para aquele apartamento,e nostalgia era o típico sentimento do qual eu costumava fugir como diabo foge da cruz. Mas ou eu voltava,ou deixava metade das roupas na casa dele.É,eu sabia que voltaria.
Ele havia saído logo cedo para trabalhar.Sem café da manhã juntos,apenas o cheiro de café forte que ele costumava fazer para manter-se acordado no trabalho entediante e monótono do escritório.Era só no fim de tudo que eu percebia o quanto aquelas mínimas manias,me irritavam profundamente.
Dei uma última olhadela no apartamento para ver se estava esquecendo algo.É claro,eu sempre esquecia alguma coisa.Meus discos do Led Zeppelin,alguns álbuns do Eric Clapton,eu não deixaria assim,de lambuja para ele.
Apesar de termos o mesmo bom gosto,diga-se de passagem,para música,ele detestava o espaço que meus discos ocupavam,porque ele queria era colecionar qualquer lixo que fosse,só para me irritar.
A última coisa que faltava,era apenas vestir minha jaqueta,colocar os fones do meu ipod e escolher alguma trilha sonora perfeita para um Adeus,se é que um Adeus deve ter alguma trilha sonora,enfim.
Fechei a porta sem olhar para trás,porque eu não estava apenas deixando um apartamento,estava deixando uma vida de amarguras,mágoas e rotinas para trás.Estava deixando o cheiro de café forte,a toalha molhada em cima da cama,a implicância com meus discos,a poeira em cima da mesa,e o jeito como ele me abraçava quando íamos dormir.
Eu já não poderia suportar nem mais um minuto embaixo do mesmo teto que ele.Já havia um tempo em que não trocávamos mais palavras doces,eram apenas insultos,brigas e lágrimas rolando.Era tpm minha,era tpm dele,era tpm de todos nós.
Eu não sabia bem pra que lado iria,afinal agora era uma sem teto,oficialmente.Mas,nada me importava,porque a liberdade me acompanhava,porque meu coração poderia se tornar inteiro novamente.
Era como se eu tivesse aberto a gaiola da qual entrei porque quis.É,eu sei que a culpa de todo o sofrimento é minha,porque eu escolhi e tudo o mais,sei o que todos dizem 'você colhe aquilo que planta',mas esse papo de livros de autoajuda e terapia de bar é o tipo de coisa que me faz querer ficar longe das pessoas.
Aliás acho que me cansei delas,de todas elas.As pessoas tem a péssima mania de nos fazer acreditar em tudo o que há de melhor no mundo,para depois nos mostrar que contos de fadas não existem.E não me importo com o que digam,que aquele papo de que as pessoas só nos decepcionam porque criamos expectativas em relação à elas,eu acho tudo uma bela de uma baboseira.Como não criar expectativas em relação à algo ou alguém?Como não querer apostar todas as suas fichas em um relacionamento quando se está apaixonado?Creio que está para nascer pessoa que consiga ser tão racional quanto a matemática dos corpos exige.
Eu fui embora,sem Adeus,bilhete ou telefonema.Fui embora e levei tudo o que era meu comigo,mas sei que uma parte de mim ficou naquele velho apartamento.

domingo, 7 de novembro de 2010

Sou apenas um coração,pulsante,que teme a escuridão das noites,e a solidão dos caminhos.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Pedaço de veludo

Olho no espelho e o que vejo sempre refletido em meus olhos é o medo.Ele sempre dá as caras,então me afogo num copo de vinho.Mas minha cabeça pesa,minha garganta dói e eu já não suporto engolir nem mais uma dose.
Eu sempre procuro pelas respostas das perguntas que ainda nem tive coragem de fazer a mim,estou na busca por preencher um vazio que nem sei ao certo se realmente existe ou se é apenas mais uma invenção minha pra trazer um pouco mais de dor ao meu olhar.
Olho para o céu e sinto que a chuva não cai somente em meus ombros,mas o peso que as gotas têm sobre mim,talvez não tenha o mesmo peso sobre os ombros de mais ninguém.
Caminhos incertos é o que sempre procuro seguir,não gosto da exatidão de meus passos,se contradiz com o incerto do que sou por dentro,e o certo é seguir aquilo que se é,não?
Apenas queria saber expressar qualquer coisa que sinto,mas talvez eu não seja capaz de expressar absolutamente nada,por não sentir,ou sinto demasiadamente que palavras me faltam,escapam de minha mente.
Eu nunca
senti por dentro como se fosse macio,quente e seguro,como um pedaço de veludo,confortável de me recostar.Eu sempre sinto a aspereza dos meus pensamentos,me sufocando e me calando a cada vez que penso em dizer uma mísera palavra à mim mesma frente ao espelho.
Sinto que sou eu quem me cala,sinto que sou eu quem me mata,sinto que sou eu quem me sufoca todos os dias.Sou frágil como um produto que pode quebrar na primeira queda,mas sei que não sou tão frágil porque caí várias vezes,mas ainda não me quebrei por inteiro.
Sei que dói quando sinto o vazio,mas por muitas noites permaneci anestesiada,então fui capaz de dormir.
Eu só queria ser capaz de fechar os olhos e adormecer tranquilamente,sem que o medo de ter mais algum pesadelo me domine,e me faça abrir os olhos como quem busca conforto na claridade do quarto,tentando me prender em qualquer coisa que me faça sentir segurança de novo,pra que eu seja capaz de então fechar os olhos e adormecer tranquilamente.
O que me traz o medo não é a escuridão em si,mas é a solidão que sinto toda vez que fecho os olhos e não sinto o calor de um outro corpo ao meu lado.Mesmo que fosse uma solidão à dois,talvez um corpo a mais na cama trouxesse à mim o conforto que não encontro no encontro dos meus braços ao redor de mim.
Na verdade eu queria um corpo em especial,para estar me aquecendo no frio,no calor,em qualquer estação que fosse,e talvez seja essa a única certeza que tenho de mim.Eu queria você,o seu corpo,o seu calor.Eu queria a sua boca na minha,o gosto da sua saliva,o perfume da sua pele.
Então talvez com teus abraços,e os teus risos eu fosse capaz de sentir segurança mesmo na escuridão,porque eu saberia que não seria preciso acender as luzes e procurar por algo que me faça sentir segura,porque você está ao meu lado e isso basta.
Bastaria saber que você está aqui para que eu tivesse a certeza de que respiro,de que estou viva.Porque você faz com que meu coração bata acelerado,então eu sei.Eu sei que por enquanto não vivo,não respiro,não sinto.
Sei de tudo isso porque sei da sua ausência,e não à sinto porque meu corpo,meu coração,nada é capaz de sentir quando você está distante.
Então meus caminhos permanecem incertos,o medo permanece em meus olhos.Todos os dias.Dia após dia passo minha mão pela cama procurando por você,mas não te encontro.Fecho meus olhos e tento pensar que está aqui do meu lado para que o medo vá embora,mas eu desejo que você pegue minha mão e me diga que nunca vai sair de perto de mim novamente.
Enquanto você permanece em algum lugar distante de mim,eu também permaneço.Eu permaneço distante,perdida de mim mesma porque eu preciso de você para me orientar novamente.
Sinto que o céu é uma mentira,sinto que o vento batendo em meu rosto é uma vaga lembrança do dia que te vi partir.E isso dói.
Dói me lembrar do dia que te vi partir e não fui capaz de dizer nada,a minha voz desapareceu.Tudo o que eu gostaria de dizer,sumiu da minha cabeça.Não era a hora de você partir,não era a hora de me deixar aqui,mas você se foi e agora o que restaram foram dúvida s e mais dúvidas daquilo que devo buscar.

sábado, 18 de setembro de 2010

Estilhaços

Parece que teimo em ser errada,continuar errando.Parece que gosto de sofrer,e ver os outros sofrendo.
Tem uma hora que a gente quebra a cara contra o muro,mas aprende.Eu não.Eu sinto prazer em bater a cara contra o muro por diversas vezes,me quebrar em mil pedacinhos minúsculos que nem superbonder dá jeito.
Eu cometo os erros e levo comigo sempre estilhaços de corações.Acho que faço coleção de machucados,não me canso de me machucar!
Eu cansei de ser tão errada assim,a minha estrada é torta mas eu quero endireitar,porque eu não consigo?!
Eu só queria conseguir parar de colecionar estilhaços de corações,estilhaços de mim.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Então não amei

É o medo de amar.De ser contagiada por essa doença tão vil,que sufoca e mata lentamente,torturando cada pedaço de mim.
Era medo de amar e não ser amada.Ser conquistada pouco à pouco apenas pelo capricho da arte de seduzir.Porque nada melhor do que ter alguém que se jogue aos teus pés,que lamba o chão por onde pisa,recolha tuas bitucas de cigarro do chão,enxe teu copo e nunca te diz não.
Era o medo de entregar não meu coração,mas meu corpo.Entregar-me sem pudor,colocar as armas na mesa e me deixar ser tomada.Cada pedaço de mim doiria depois da partida,se eu me deixasse ser cativada.
E aquele sorriso tão fácil de amar,aqueles olhos tão difíceis de se parar de admirar,cores tão misturadas,tão confusas e tão límpidas em seu próprio jeito de brilhar.Aqueles lábios carnudos,cheios de desejos mundanos e muita libido.
Alguns cigarros queimados,alguns copos espalhados e as roupas jogadas no chão.É assim que eu me encontraria em tua casa,ao lado do teu corpo nu,e a luz delineando cada parte encantadora em você.
Eu previ.E eu tinha medo de te amar.
Amar com tanta intensidade como a que eu desejava possuir teu corpo,tua alma,teu coração.Intensidade essa que equivaleria ao um orgasmo depois de uma transa selvagem contigo no tapete da tua sala.Intensidade com que trago a última ponta do meu cigarro,antes de jogá-lo janela à fora.
É a intensidade de um gole,de uma foda,de um cigarro,de uma noite louca ao teu lado.
Era com essa intensidade que eu tinha medo de te amar,então não te amei.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sem teu sorriso pra me guiar,estou perdida.
Sem teus conselhos pra me alertar,faço besteiras.
Me sinto perdida quando você está distante.
Então me pegue em teu colo,e me proteja.

sábado, 14 de agosto de 2010

Mais um beijo


Aqueles olhos negros estavam marejados.Ela quase não conseguia conter seu choro,mas não queria mostrar sua fraqueza assim,de bandeija.


-Você sabe que não precisa chorar,está tudo bem.


-Não,não está.Sinto que meu coração vai parar de bater a qualquer momento,porque não tenho você em meus braços.Você sabe o quanto dói estar sem você?


-Sei.Sinto a mesma dor,todos os dias,mas a minha força encontro em saber que cedo ou tarde verei novamente seu sorriso.


-Eu preciso de você.


-E eu também preciso de você.


A dor era tanta,que os olhos só foram capazes de exprimir aquilo que ela tentava sufocar em seu peito.Lutava veemente contra sua dor,mas ela era mais forte.
Vencida pelo cansaço,ela se entregou às lágrimas,então ele calou-se,suspirou,e tentou acalmá-la.


-Logo estaremos juntos.É tudo uma questão de tempo.


Mas o tempo,ela sabia,era sacana.Não passava quando estava longe dele,parecia que gostava de vê-la sofrer pela distância.Ele se arrastava tão lentamente quanto podia,e ela calada,sofria.
E quando estavam finalmente juntos,o tempo corria feito louco,e logo eles teriam que dar o Adeus.


-Até quando vou suportar o tempo demorando pra passar,para que eu possa ver o seu sorriso?


-Até quando seu coração aguentar


-Mas e se não aguentar?


-Ele vai aguentar,tenha calma.


Ela olhava todos os dias pela janela,esperando ver a Lua e seu pensamento ir até onde ele estava.Pelo menos de alguma forma ela sentia que estavam juntos.Ela lhe pediu,e ele prometeu fazer o mesmo,todas as noites.
Ela sabia que a distância era capaz de separar seu corpos.E ela sentia falta disso.Do calor do seu abraço,do cheiro dele,de como ele roçava a barba em seus ombros fazendo-a arrepiar.Ela sentia falta das palavras cantadas ao pé do ouvido,e da risada engraçada que ele tinha.
Ele sentia falta da voz dela,e de quando ela fazia manha só pra agradá-lo.Ele sentia falta do cheiro de morango da pele dela,e da risada engraçada de quando ela estava bêbada em seu último encontro.
Mas o que ambos mais sentiam falta,era de quando seus lábios se encontravam num beijo demorado e sincero.
Ela sabia que a saudade doía nele também.Ele sabia que ela chorava todas as noites.Mas ambos sabiam,que o amor era forte e valeria a pena a espera por mais um beijo. 

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Em teus passos...

Então olhei em seus olhos e lhe pedi ajuda.Você olhou pra mim e abriu o sorriso,apenas me estendeu a mão e me disse 'Vem comigo que vou lhe mostrar o caminho'.
Então eu senti o seu toque pela primeira vez,e senti meu corpo entorpecer.Segui seus passos desejando que fossem meus para sempre.E olhava cada nuvem do céu como se fossem minhas também.
Senti uma alegria contagiando dentro de mim,cada parte do meu ser,porque eu estava sendo guiada por você.Então sorri feito boba,um sorriso tão despercebido,mas que você notou.
Então nossos olhares se cruzarem e o mundo parou por um segundo.O vento batia no meu rosto desarrumando meu cabelo,mas você estendeu sua mão novamente para tirar aqueles fios que caíram sobre meus olhos,e então me disse 'você é tão delicada'.
Meu coração parou.De repente voltou a bater de forma tão acelerada que achei que pularia fora do peito de tão forte que ele batia,e era tudo por você.
Então me entreguei ao momento e apenas fechei meus olhos.Esperei que seus lábios viessem de encontro aos meus porque o que eu mais precisava era provar o seu gosto,afinal.
E num momento de total êxtase senti uma lágrima rolar no meu rosto e você prontamente a enxugou.E então olha em meus olhos e me questiona o choro,e eu apenas consigo dizer 'sou feliz'.
Parecia que o mundo girava rápido porque todas as pessoas que estavam ao nosso redor tornaram-se apenas borrões diante de mim.Era como se o ar estivesse faltando e eu só pudesse respirar você,respirar amor.Era como se tudo morresse do lado de fora,enquanto em mim tudo tornava a viver.
Seu toque me trouxe vida.Só sei que pela primeira vez me senti feliz por me sentir fraca,porque foi na tua força que encontrei a minha própria força,e foi em teus passos que fui capaz de encontrar o caminho de volta pra casa.


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Como é o amor.

Há quem diga que o amor é aquele sentimento que une duas pessoas,e que é capaz de passar por cima de tudo.
Mas eu discordo.Discordo porque o amor não passa por cima de tudo,na verdade as vezes o amor não suporta o prédio porque não existia uma base para sustentá-lo.
As pessoas enxergam aqueles que amam como o suporte de seu prédio,que sem elas,tudo vai para o chão.Que alguém cura suas feridas,enxuga suas lágrimas,causa seus sorrisos,isso não é amor.
Amor é aquele onde dois indivíduos continuam sendo apenas dois indivíduos,que compartilham mas não carregam o peso do outro.Que escutam as lamentações mas não enxugam suas lágrimas,apenas estendem o lenço para que esse o enxugue.
O amor deve ser suportar suas feridas em silêncio,sem que o outro seja obrigado a sentí-las com você.
O amor é um sentimento egoísta quando você passa a enxergar como ele realmente é.Mas o amor deve ser assim.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A saudade

A saudade não me deixa em paz nem por um segundo.
Ela consegue consumir todo e qualquer tempo que tenho livre pra pensar em mim.
Gosta do fato de ter lágrimas percorrendo o meu rosto,porque não consegui me acostumar com o fato de não sentir mais o gosto salgado delas tocando meus lábios.
Ao menos o motivo agora é uma dor,que não machuca tanto assim.E não machuca tanto porque,é uma dor passageira,que encontrei um remédio para curá-la quando insuportável.
É uma dor que posso satisfazer com apenas a presença,quando a ausência torna a chamá-la pra mim.
Aperta o peito,mas não o sufoca,não o mata.Talvez um dia consiga matá-lo caso eu não consiga suprir a necessidade da presença,mas aí já não será saudade,será tristeza.
Mas o bom da dor da saudade,é que ela passa,e passa como se eu nunca tivesse a sentido antes.
Porque ela me faz chorar,e no momento seguinte me faz rir.
Me faz rir sem o peso do riso triste,do riso pra disfarçar a tristeza dentro de mim.
É um riso costumeiro,como de quem canta alegremente pela rua depois de ver o passarinho azul,que todo mundo vê quando está feliz.
E o melhor,eu mato a saudade.E mato ela com a presença que me traz o alívio pra dor.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Amarga.

A vida por vezes é amarga. 
Amarga de desgosto,amarga de tristeza,amarga de ausência,amarga de saudade,amarga de derrota.
Por vezes o coração se cansa de sofrer,sofre tanto que quase chega a parar,mas uma hora ele para.
A dor corrói,consome,destrói,maltrata,sufoca,amarga,faz sofrer.
A dor é terrivelmente cruel,mas só ela é capaz de mostrar a verdade de um coração.
Se o coração sofre é porque ele anseia,ele deseja,ele quer se libertar,ou até mesmo se prender.
Se o coração se cala,não é porque deixou de ter voz,mas talvez seja porque ele já não tenha mais nada a dizer.
E as palavras,de nada valem quando não é o coração quem as diz.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O gosto da liberdade.



Era a primeira vez que o cheiro da liberdade fazia inflar minhas narinas.
Na verdade,nunca achei que um dia provaria o gosto adocidado de ter o controle da minha própria vida,bem aqui em minhas mãos.
Era a primeira vez em duas décadas de uma existência invisível aos olhos dos outros,e medíocre aos meus,que tinha a sensação de ter finalmente me livrado daquelas correntes malditas das quais meu próprio medo me fez prisioneira.
Parece que o fato de me ver livre destas correntes e manter as rédeas de minha própria vida pela primeira vez,deixavam-na com um sabor,aroma e cor completamente diferentes do que se podia notar antes.
O mundo só tinha duas cores,eram sempre preto e branco.Eu não era capaz de ver a vida em colorido porque não vivia por mim ou para mim,sempre vivi aquilo que acreditavam que eu deveria viver.
Seu gosto era amargo,pois era apenas isso que foi me dado.
Nunca tive sonhos próprios,porque sempre disseram que sonhar dá asas,e voôs altos tendem a ter quedas violentas,era para o meu próprio bem,assim diziam.
Hoje me libertei.Quebrei as correntes e comecei a decidir quais caminhos eu deveria seguir.Se eu caísse,eu me levantaria sozinha,não queria mais ninguém cuidando de mim como se eu fosse de Cristal.
Hoje,vejo o mundo como ele realmente era pra mim,não mais pelos olhos dos outros.
Nada melhor do que a liberdade!Quem prova seu gosto um dia,jamais aceita voltar a ser prisioneiro de seu próprio medo.Medo de que?De não ver mais sua vida em preto e branco.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Antídoto.

Só queria descobrir um antídoto para dor.Saber como fazer para escapar de todo esse torpor que toma conta do meu corpo quando me dou conta da solidão.
Perdi o medo de arriscar.Sempre tentei mais do que fui capaz de aguentar,tive coragem  mas só o que consigo é chegar próximo,muito próximo,e ver minha chance indo embora sem ao menos me dar a chance.
Quando caio é que dói mais.Eu fico esperando alguém estender a mão para que eu me levante,mas ninguém vem.
Eu já não tenho forças para me erguer sozinha,então talvez eu permaneça onde estou.
Ao menos onde estou,não posso ter mais dor.Quando não se sai do chão,não existe a chance de cair novamente.


domingo, 28 de março de 2010

A fuga.

Caminho olhando para o chão,sem pensar em voltar.As vezes não me parece a melhor decisão,parece até que estou fugindo do problema mas a verdade é que fujo da lembrança.
E cada vez que me distancio daquela vida,presto menos atenção ao meu redor.

É como se a dor tivesse me anestesiado de tal forma,que perceber o que acontece em volta de mim é desnecessário.
Coloco os fones no ouvido que é para não prestar atenção nas vozes em volta de mim,assim fica mais fácil parecer imperceptível no meio da multidão.
Assim eu me sinto em paz comigo mesma,com meu silêncio,apenas a música para me fazer companhia.A música é a única companhia que tenho enquanto traço meu caminho pra lugar nenhum.
Eu não sei bem onde quero chegar,ou qual direção devo seguir,eu apenas quero fugir,e pra bem longe.
Quero encontrar um lugar onde a bagagem de lembranças não tenha que me acompanhar.Onde eu não veja em cada esquina,o seu rosto.O rosto que eu cansei de pedir para que voltasse,para que me pedisse perdão.O rosto que eu não vi derramar uma lágrima por mim,e pelo qual derramei incontáveis lágrimas,até secar.
Onde o vento sopre no meu rosto,e eu não sinta arrepios,apenas me sinta viva.
Quero percorrer todos os caminhos que escolher,sem ter a sensação de que a qualquer momento eu vá me arrepender das minhas decisões,ou que alguém irá aparecer para me fazer sentir culpa,quando eu tenho razão.
Eu quero caminhar no silêncio,em busca de uma paz que não encontro aqui.E quando eu for,por favor,não me procure,pois a paz está bem distante de onde você está.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Devoradora de Corações



Me cansa ser aquela a trair seu próprio sentimento,se deixando levar por impulsos tão humanos,tão mesquinhos e tão cruéis.
Parece que gosto tanto de ser machucada,que já não me basta a ferida que outros me causam,é preciso que eu mesma machuque meu coração.
Eu me esqueço de pensar e me deixo levar,mas depois o que não sai da cabeça é a culpa,e o vazio que sinto.
Não quero mais me machucar,não quero mais.E também não quero olhar nos olhos de outro alguém,e ver que o machuquei também sem a intenção de o fazer sofrer.
Me sinto uma idiota por me deixar levar ao invés de tentar entender o que aquilo pode me trazer como consequência.
Foi tão doloroso ver em seus olhos,a decepção e a dor que o causei,e não ser capaz de fazer nada além de fingir que na verdade,nada tinha acontecido.E ver que deixei os rastros de dor espalhados por todo o canto,e continuar imóvel,quieta,chocada comigo mesma,e a única coisa que consigo fazer é chorar e chorar,e me arrepender,e chorar novamente.
Mas chorar não vai fazer o tempo voltar,o beijo se desfazer,e tudo mudar.E agora nada que eu faça,vai desfazer tudo o que eu já fiz,sem nem pensar,simplesmente agi.
Agora só o tempo poderá dizer se as marcas que causei em alguém,serão tão permanentes quanto as que causei à mim.
Eu só não quero ser mais uma devoradora de corações.

terça-feira, 9 de março de 2010

Amar em partes.



Eu só peço-lhe que não me traga rosas,sou alérgica a flores.E também não desejo que escreva cartas de amor,não suporto demonstrações exacerbadas de afeto,as palavras mentem.
Também não desejo que me ligue às 4 da manhã para dizer que sente saudades,pois você pode apenas ter me ligado pois não tinha mais ninguém para gastar seus créditos.
Eu não desejo uma parte de você,e nem de seu coração,eu o desejo por inteiro e se não pode ser inteiro meu,que não seja,então.
Porque não quero um amor fugaz,que começa em chamas e termina em cinzas.Eu quero um amor em doses homeopáticas,aqueles duradouros,que nunca chegam ao fim e que se chegam,as memórias não deixam que esse fogo se apague.
Não quero dormir e acordar todos os dias sozinha,mas não desejo ter alguém ao meu lado apenas para suportar a solidão acompanhada,ela dói mais quando se compartilha com alguém.
Eu quero dividir a minha cama,eu quero dividir os meus dias,repartir as lágrimas e multiplicar sorrisos,eu quero ser amada por inteiro,porque eu só sei amar assim.

Reconstruir



Me construo incansavelmente,pois não se cansam de destruir à mim.
Reconstruo meu castelo de areia,sabendo que a qualquer momento a água vai levar tudo embora.
Não importam quantas vezes eu tenha que me construir novamente,quantas lágrimas eu tenha derramado,quantas cicatrizes me foram causadas.
Estou sempre tendo que me reconstruir,pedaço por pedaço,até que eu me torne inteira novamente.
E é quando eu acredito que estou viva novamente,algo me faz acreditar que a tempestade não demora a chegar,e que vou ter de me reconstruir para poder começar,mais uma vez.

sábado, 6 de março de 2010

Olhos que dão paz



Só quero poder olhar em seus olhos ao menos uma vez,e me dar conta de que ainda bate o coração que carrego no peito.
Quero poder enxergar que meu corpo não vaga assim,tão vazio,que ainda tenho uma alma,e sonhos.
Então ter a certeza de que a tempestade passou,e o Sol já vai sair, que vou poder ficar assim,bem junto de você.
Olhar em seus olhos verdes,e sentir que agora está tudo bem,que eu vou ficar bem,porque afinal,eu tenho você.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

                                                    E como uma chama,eu me apago.

Fechar os olhos



Por tantos dias lutei contra o imenso desejo de pôr fim as minhas dores de forma mais rápida e menos cruel comigo mesma,mas a covardia não me deixou fazer.
Por muitas noites deitei em minha cama fria,desejando que todo esse inferno acabasse,mas ele estava apenas começando,e eu não me dava conta.
Então passei a chamar por alguém que fosse capaz de me tirar essa agonia do peito,e me trazer de volta à vida.Alguém que fosse capaz de arrancar todas as minhas dores,permitindo o ar voltar a percorrer os meus pulmões,mas eu apenas sufoquei,e dormi.
Dormi por toda a eternidade,que me viu ser consumida como palha pelo fogo,derrotada dia após dia pela dor que me perturbou o sono.
Eu me vi fraquejar de novo e abrir mão da luta,pois eu simplesmente não suportaria mais sangrar,por toda a eternidade.
Eu queria apenas que meu coração se libertasse,então quis libertar minha alma da prisão que meu corpo gélido tornou-se.
Apenas fechei os olhos e esperei pela chama final que me consumiria por inteira,mas ela não veio.Ao contrário do que eu pensei,a dor foi tanta que me anestesiou e eu já não era capaz mais de sentí-la,mas também não me sentia mais viva.
Me cobri com as sombras da noite,e enxuguei minhas lágrimas com o manto das dores,e apenas me deixei ir,para onde nem sei dizer.Bastou fechar os olhos e me deixar levar,para um lugar onde as dores não podem perturbar meu sono.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O destino quis assim,unir dois corações que foram tão machucados por outros corações frios.
O destino quis então,fazer dois seres se apaixonarem perdidamente,precisando sentir o toque na pele,o gosto do beijo,os sussurros no ouvido...
Mas o destino apenas esqueceu,de que a distância pode não separar dois corações,mas separa dois corpos,e isso,o destino nunca soube.
A distância as vezes machuca um coração,que sofre calado pela ausência do outro.

Quem vê este rosto esboçar um sorriso,se engana.
Os olhos continuam a mostrar as dores da alma,que agoniza e sufoca,calada.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Desmorona.

E todos aqueles sonhos que você disse construir por mim,desmoronaram.
Desmoronou junto com tua máscara de homem amante,de amor verdadeiro.
Desmoronou junto com o desmoronar do coração partido,depois da verdade dos teus olhos.
Desmorona,mundo,desmorona.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A Janela.

Era uma janela,eu e mais nada.Aquele som de sussurro do vento e aquela música que me fazia sentir a melancolia perpassar a pele,e doer os ossos.
Tudo me fazia acreditar que aquele era o momento,tinha de ser.
Encorajei-me então bebendo um gole de vinho barato,daqueles de dez reais que se compra em qualquer mercadinho,e dei a última tragada no cigarro que já estava com gosto de velho de tanto que guardei-o para aquele momento.
Eu andava de um lado para o outro com aquela taça de vinho na mão,vazia.Eu não tinha a coragem suficiente para ir até o fim com aquela idéia maluca que me vinha a cabeça,a cada momento que eu relembrava aquelas dores que me faziam revirar na cama,e perder o sono.
Eu precisava de algo mais forte para sair de mim,de uma vez por todas.Para deixar a pele corar,o sangue subir,e a coragem se mostrar.
Revirei aqueles malditos armários velhos,com cheiro de mofo,e vazios,procurando qualquer garrafa de bebida,com um pingo que fosse,para matar a sede da covardia que eu guardava no peito.Eu não podia ser covarde mais,não podia.
Então acabei encontrando uma velha garrafa de Whisky,que papai costumava beber quando era mais nova.
Virei a garrafa numa golada só,e até me faltou ar.Mas eu resisti até o fim,matei a garrafa e pronto,a coragem apareceu.
Eu a reconheci com o rosto rubro no espelho.Eu sabia que agora,era uma questão de tempo para que o álcool surtisse o efeito desejado,o efeito de me impulsionar,era o momento certo.
Então pensei,pensei até que decidi,eu tinha que fazer,pois ninguém mais o faria.
Me dirigi até a janela,com os olhos vidrados naquele porta-retratos onde tinha a nossa última foto.
Era a última lembrança que tinha de nós dois,era a última coisa que guardei.Era a última coisa que deveria ter guardado,mas guardei.
Então levantei o vidro daquela janela,e antes de tomar o impulso final,observei o céu e senti a brisa bater sobre meu rosto rubro da bebida.
Caiu.Primeiro um,depois dois,dez metros e pronto,se espatifou no chão.
A queda foi tão rápida que não senti dor alguma,nem antes,nem depois.
Sem dor,sem remorso,apenas o silêncio.
Caiu,e eu apenas ouvi o barulho do vidro se esfarelando no asfalto,e a foto ali.Eu precisava me livrar de toda e qualquer lembrança de você,antes que o que caísse pela janela,não fosse mais a nossa foto.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Meio fio.



Então meu coração pára por um segundo.Só sinto o peito contraindo e expandindo,e a respiração entrecortante,entre os instantes em que me sinto morrer,e os instantes em que tento não me afogar na dor.
E dessa vez a mágoa tem a minha marca,eu que a causei.E não foi à mim,foi a alguém por quem sonhei um dia,enxugar qualquer lágrima que viesse a percorrer aqueles olhos brilhantes,aquele rosto de anjo que veio para me salvar da tentação de cair em mim de novo.
Eu andava em meio ao meio fio,na corda bamba.Dividida em mil sentimentos entre duas únicas pessoas.
Uma hora pendia para um lado,outra hora para o outro,mas vivia pendendo pra algum lado.Mas até o dia que me desequilibrei,e caí.
Eu caí para seus braços,para seus abraços,me iludi,e iludi também.
Eu servi meu coração em bandeija de prata pras pessoas erradas,e na hora de serví-lo novamente,servi apenas a metade que era para evitar o desperdício.
E então me arrependi,pois meio coração não foi suficiente.
Então aquele anjo,eu o vi derramar lágrimas de decepção.Eu sabia que eu o havia machucado,e aquilo machucava profundamente à mim também.Eu queria apenas abraçar aquele anjo,mas ele estava tão longe!
Eu apenas queria dar a outra metade do meu coração,e dizer-lhe que o coração por inteiro o pertencia,pois eu já não caminhava na corda bamba,eu já sabia quem eu queria,pra que lado eu gostaria de cair,e era em seus braços que eu gostaria de estar...
Mas agora já não sei se meu anjo está lá para me esperar,agora já não sei,se eu cair,se ele irá me segurar,pois eu machuquei meu anjo,eu machuquei.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Depósito de pequenas gotas.



Nós seres humanos somos carregados de sentimentos que trasncendem nossas dimensões e vão um pouco além de nossa carne e osso.
Somos um depósito de pequenas gotas,pequenas doses diárias de todo o tipo de sentimento,egoísta ou não.
Vivemos nossa vida toda guardando tudo aquilo que sentimos no coração,e acreditamos que nunca deixamos transparecer,mas isso é uma terrível ilusão.
Tudo aquilo que transformamos,expressa o que internamente sentimos.Produzimos para externar nossas dores,amores,frustrações,alegrias.
Transformamos para nos libertar,para morrer na dor,e talvez nascer de novo,como a fênix.
Somos um pouco de tudo aquilo que o mundo exala,a cada segundo.
Somos o amor,somos o ódio,somos os opostos que se atraem,que se distraem,que se contraem e morrem de dor.
Somos os afins,o final e o recomeço de tudo aquilo que sentimos,e vivemos num ciclo vicioso do sentir,até que este nos consuma por inteiro até que não nos reste nada além do ser.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

cada partícula de átomo presente no Universo



Nem sempre gosto de ser o Sol.Uma hora o calor confortável dos raios, torna-se insuportável e queima a pele.
E nem sempre chuva,também.A chuva que cai sob os ombros é a mesma que escorre sob os pés, e eu não gosto assim,de estar sempre caída a teus pés.
Ser vento também não é lá minha maneira de ser, o vento passa, as vezes é cortante como o frio, é gélido e bagunça o cabelo, mas ele passa.E eu não estou só passando por tua vida, e nem você pela minha.
Gosto de ser cada partícula de átomo presente no Universo.
Uma partícula de mim está em cada canto, com cada coração que bate demasiadamente rápido.
Eu gosto de ser os raios de Sol, quando confortáveis, e as gotas de chuva quando estas, tocam teus lábios tão docemente, que nem se sente.
Eu quero bagunçar teu cabelo, e soprar no teu ouvido, só pra que se lembre que um dia estive ali ao seu lado, como o vento.
Não gosto de ser inverno, nem ao menos verão.
Prefiro temperaturas agradáveis como o Outono, onde as folhas das árvores balançam levemente com a brisa da tarde, e tocam o chão, num ciclo de vida e renascimento.
Gosto de ser cada parte de mim, porque sou.Inteiramente.Sou partículas que me tornam inteira, completa.
Porque não dependo das partículas de outrém para ser quem sou.
Gosto dessa liberdade, de ser o que quiser, e quando quiser.Porque sei, sou inteira mesmo quando sou apenas uma parte de mim.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A história da chuva.

Eu gosto do som da chuva.E gosto também daquele cheiro de terra molhada que fica no ar.
É cheiro de infância,cheiro de saudade,cheiro de inocência.
Daqueles dias em que eu corria pela chuva,com a minha mãe gritando logo atrás de mim 'menina!sai da chuva que você vai pegar gripe',e que eu nem dava bola.Eu gostava de sair correndo e pular nas poças d'água porque simplesmente o barulho delas era tão gostoso de ouvir!
Me lembrava das tardes em que eu ficava na janela,só ouvindo o barulho da chuva caindo sobre o telhado,até adormecer.
E das noites em que aquele vento fresco batia em meu rosto,e tirava meu cabelo do lugar.
Eu gosto da sensação de estar viva que a chuva me traz quando cai sob meus ombros,molhando meu corpo todo,dos pés a cabeça.Eu gosto da chuva.
Eu gosto porque eu não me sinto tão só.Porque a chuva traz lembranças que eu sei,nunca irei me esquecer.
Lembranças da infância,lembranças de beijos e abraços molhados,de despedidas não tão dolorosas.De últimos momentos,de confissões trocadas.
A chuva me lembra de dias em que corri para não ficar toda ensopada,lembra da última vez que vi um olhar sincero.A chuva me lembra a vida que um dia,eu vivi.

O peso.

O caos me domina,e a cada segundo que passa,sinto que estou mais e mais perdida.
O medo de decepcionar por muitas vezes me calou quando julguei ser a hora de falar.Guardei cada sentimento em uma caixa,e pode-se de dizer que tudo isso era uma caixa de Pandora.
E então algo fez com que eu me libertasse,e resolvi abrir a caixa de Pandora.
Sentimentos como raiva,ódio,desgosto,nojo,repúdio,decepção,mágoa,foram se libertando,e aliviando aquela carga pesada que guardava no peito,sempre em silêncio.
Aliviei,ou ao menos achei que tinha aliviado todo aquele peso que vinha juntando durante tantos anos.Mas o peso maior ficou comigo,o da consciência.
Por mais que eu soubesse que aquilo era a decisão certa a ser tomada,alguma coisa ainda me prendia naquilo que eu sabia que não era a melhor.
Dessa vez não me calei,mas agora suporto o peso das minhas palavras sob minha cabeça,o peso da culpa por não ter agido como eu gostaria,como eu achava que seria a melhor forma.Carrego em mim a dor maior por ter falado algo que sei que não machucou à quem eu as dirigi,mas a mim,por não querer mas mesmo assim agir.