domingo, 28 de março de 2010

A fuga.

Caminho olhando para o chão,sem pensar em voltar.As vezes não me parece a melhor decisão,parece até que estou fugindo do problema mas a verdade é que fujo da lembrança.
E cada vez que me distancio daquela vida,presto menos atenção ao meu redor.

É como se a dor tivesse me anestesiado de tal forma,que perceber o que acontece em volta de mim é desnecessário.
Coloco os fones no ouvido que é para não prestar atenção nas vozes em volta de mim,assim fica mais fácil parecer imperceptível no meio da multidão.
Assim eu me sinto em paz comigo mesma,com meu silêncio,apenas a música para me fazer companhia.A música é a única companhia que tenho enquanto traço meu caminho pra lugar nenhum.
Eu não sei bem onde quero chegar,ou qual direção devo seguir,eu apenas quero fugir,e pra bem longe.
Quero encontrar um lugar onde a bagagem de lembranças não tenha que me acompanhar.Onde eu não veja em cada esquina,o seu rosto.O rosto que eu cansei de pedir para que voltasse,para que me pedisse perdão.O rosto que eu não vi derramar uma lágrima por mim,e pelo qual derramei incontáveis lágrimas,até secar.
Onde o vento sopre no meu rosto,e eu não sinta arrepios,apenas me sinta viva.
Quero percorrer todos os caminhos que escolher,sem ter a sensação de que a qualquer momento eu vá me arrepender das minhas decisões,ou que alguém irá aparecer para me fazer sentir culpa,quando eu tenho razão.
Eu quero caminhar no silêncio,em busca de uma paz que não encontro aqui.E quando eu for,por favor,não me procure,pois a paz está bem distante de onde você está.

2 Comentários:

Anônimo disse...

Pois é, às vezes estamos diante de situações onde realmente tudo o que queremos é fugir para bem longe. Não apenas para longe dos problemas, mas para longe de nós mesmos, para longe dos mesmos erros que são sempre repetidos, das mesmas palavras que sempre são ditas, num ciclo interminável de deja vu.

welton disse...

Há certo gosto em pensar sozinho. É ato individual, como nascer e morrer.

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